O Reino dos Peixes que Podiam Fazer Tudo - Estudos/Teatro

Capítulo 8
 
Era  uma vez um reino de peixes que existia bem lá no fundo do oceano. Mas eles não eram qualquer tipo de peixe. Eles sabiam falar, rir, trabalhar, brincar, argumentar, discutir. Assim eles se denominavam de os  "peixes que podiam fazer tudo" e moravam em seu próprio reino.

Eles eram muito felizes. Eles tinham muito alimento disponível para comer. Os filhotes de peixe freqüentavam a escola e aprendiam  muita  coisa acerca do mundo ao seu redor. Suas casas eram aconchegantes, confortáveis e iluminadas. Era muito bom  viver no reino dos PQPFT (O reino dos peixes  que podiam fazer tudo).

O Peixe-Rei era feliz também. Seus  inimigos, os tubarões, saíram para procurar a cidade perdida de Atlântida e também se perderam. Sua sogra saiu de férias para o Triângulo das Bermudas e não foi vista  nunca mais. Nada ameaçava  o reino.  O Peixe-Rei nadava ao redor do seu palácio sem  nada para fazer e sem ninguém para aborrecê-lo.>
Então, o Peixe-Rei teve um pensamento. "Vou sair do meu palácio  para ver o meu reino" ele disse.

Ele ficou surpreso com o que viu! Todos os súditos  estavam trabalhando ou  brincando ou nadando. E que barulho faziam! Ele nunca havia ouvido tanto barulho! Peixes discutindo o tempo todo! Ele olhou em volta e viu alguns peixinhos no recreio da escola e escutou eles falando:


"Caiu dentro!" gritou um peixinho.



"Não, caiu fora!" gritou outro.


"Dentro"


"Fora"


"O que está acontecendo?" Perguntou o Peixe-Rei.


Todos os peixinhos nadaram em direção a ele. Eles olharam uns para os outros  até que finalmente, um peixinho mais corajoso disse  para  ele: "Nós estávamos jogando e este peixe aqui chamado Scot jogou a bola para fora da linha. Então, a bola é nossa agora".


"Nada disto, gritou o  pequeno Scot. A bola caiu dentro da linha".


"Hummm. murmorou o Peixe-Rei. É melhor que vocês anulem este ponto. Ninguém marca vantagem desta  vez".


Os peixinhos olharam para o Peixe-Rei. Então, olharam uns para os outros.  Eles concordaram e nadaram de volta para o jogo. O Peixe-Rei pensou consigo mesmo que ele era bastante inteligente por ter resolvido  aquele assunto.


Neste momento passou  nadando outro grupo de estudantes.  O Peixe-Rei escutou  que eles estavam discutindo também.


"O que está acontecendo? Perguntou  o Peixe-Rei".


Um jovem peixe que usava óculos respondeu. "Nós estamos discutindo sobre a cor do mar.   Nós dizemos que é verde e eles dizem que é azul".


O Peixe-Rei estava atônito.  "Porque vocês estão discutindo isto?".


O jovem  peixe que usava  óculos, respondeu ao Peixe-Rei. "Porque  nós fazemos parte da equipe de debates".E eles saíram nadando e discutindo pelo caminho.


Durante todo o dia o Peixe-Rei  nadou pelo seu reino.  E durante todo o dia ele escutou seus súditos discutindo sobre isto ou  aquilo.  Cada peixe parecia ter um ponto de vista que parecia ser diferente  do ponto de vista de todos os outros peixes. Cada  peixe  parecia pensar que o  ponto de vista dele ou dela era o certo. "Não há paz aqui"   pensou o Peixe-Rei. "Tudo  o que eu escuto é conflito. Tudo o que eu vejo é conflito. Isto não está certo.   Deveria haver paz e quietude no meu reino. Eu preciso fazer algo acerca disto".


E assim ele fez. Divulgou uma lei: "QUE NÃO HAJA CONFLITO  NO REINO DOS PQPFT. Nenhum peixe poderá discutir ou debater. Nenhum peixe poderá lutar durante os jogos. Qualquer coisa que envolver conflito  será banida. Todos os peixes viverão sem conflito. Todos os peixes viverão em paz e tranqüilidade".   O Peixe-Rei pensou que ele era inteligente. Muito inteligente.


Os professores-peixes foram os primeiros a aparecer no palácio para reclamar da lei: "O que significa não ter conflito?" Eles perguntaram.  "E quanto ao drama? O conflito é o coração do drama. E quanto à literatura? A nossa literatura é  cheia de conflitos".


"Chega"   gritou o Peixe-Rei.  "Eu quero paz e quietude  no reino!   Se a falta de conflito significa falta de drama e de literatura, que assim seja!".


"Mas as  nossas crianças-peixes aprendem muito através  da leitura",   disse um professor-peixe.


"Este é o problema" retrucou  o Peixe-Rei. "As nossas crianças-peixes aprendem os conflitos e dramas nos livros, e isto não é bom".


"Não, grande rei!" Disse um professor-peixe. "O drama reflete a vida e o conflito é uma parte da  vida!".


"Não!" Gritou o Peixe-Rei. "Não deve haver NENHUM conflito no reino. Escreva dramas sem incluir conflito".


"Mas então não será um drama".


"Que seja assim! Lacre os livros! Não deve haver conflito no reino! Todo drama será banido. Toda literatura será banida ". Assim, todos  os que compareceram aquela  audiência saiu de lá muito tristes".


Os professores-peixes passaram o dia seguinte  inteiro lacrando os livros. As peças do grande Shakespeare-peixe foram lacradas


Como também as obras de outros grandes escritores-peixes. Este foi um dia muito triste para todos, mas a lei dizia que não podia haver conflito e todos os peixes tinham que seguir a lei.


O Peixe-Rei pensou que sua  nova lei era ótima. "Agora verdadeiramente podemos  ter paz no reino" ele sorriu.  No dia seguinte, o Peixe-Rei saiu nadando pelo reino.  Mas os peixes haviam mudado. Todos pareciam tristes.


"Qual é o problema?" Perguntou o Peixe-Rei.


Ninguém respondeu. Finalmente um peixinho nadou vagarosamente até ele.


"Eu estava  lendo a história da Família Robson e gostaria de saber como ela termina. Mas eu não posso porque o livro foi lacrado".


O Peixe-Rei deu um tapinha na cabeça do peixinho  e disse "É para o seu bem".


Outro peixinho se aproximou dizendo: "Nós sempre jogamos bola, mas agora não  podemos, porque ficou proibido discutir".


"Discutir é ruim! Nós devemos viver em paz no reino".  E antes que alguém pudesse  dizer qualquer coisa, o Peixe-Rei nadou de volta para o seu castelo.


"Puxa vida, não podemos fazer nada" disse um peixinho.


Outros  escutaram o peixinho e sabiam que ele estava certo. E assim eles passaram a se denominar de os "peixes que não podiam fazer  nada e que moravam no reino dos peixes que nada podiam fazer"


Mas a lei não acabou com as discussões.  Na verdade, as coisas pioraram. Logo, o Peixe-Rei teve que formar o batalhão de Polícia-Peixes para reforçar a lei. Algo tinha que ser feito.


O Peixe-Rei se instituiu juiz para julgar os casos dos peixes que eram trazidos pela polícia-peixe, quando eles trouxeram um padeiro e sua esposa.


"Qual é a reclamação?" Perguntou o Peixe-Rei sentindo bastante orgulho de si mesmo.


Um policial-peixe disse "o padeiro e sua esposa foram surpreendidos discutindo".


"Sobre qual assunto?".


"Sobre  quantidade de farinha"


"Como? Explique melhor".


"Sua alteza, eu  tenho algo a falar"   ouviu-se uma voz no fundo do salão.


"O que é isto? Perguntou o Peixe-Rei".


"É uma testemunha,   senhor".Respondeu o policial-peixe.


"Aproxime-se" disse o Peixe-Rei.


O peixe  nadou meio hesitante para frente. "Eu conheço este casal. Eles sempre discutem sobre a quantidade de farinha a ser colocada  na massa do pão".


"Então eles sempre quebram a lei?".


"Bem, eles se divertem com isto. E eles têm um acordo. Se eles colocam a quantidade sugerida por ele, significa que há excesso de farinha. Se eles colocam  a quantidade sugerida por ela, significa que não há quantidade suficiente de farinha para fazer o pão".


O  peixe continuou. "Assim, eles colocam uma quantidade entre o que ele quer e o que ela quer. E esta é a quantidade correta para se fazer o pão".


O Peixe-Rei perguntou. "Então porque eles desde o início  não colocam a quantidade certa sem discutir?".


"Para dizer a verdade, nós não sabemos qual é a quantidade certa" respondeu o padeiro-peixe. "E eu estou preocupado com minha esposa, senhor.   Se  ela  não tiver uma boa discussão, ela tem dores de estômago. A  discussão faz  ela melhorar".


O Peixe-Rei estava atônito! Ele resmungava, nadando para lá e para cá. De repente ele gritou: "Vão embora, saiam  daqui, já!".


E eles se foram.


Assim, vários casos  começaram a aparecer para que fossem julgados pelo Peixe-Rei. Ele foi ficando sobrecarregado. Nem conseguia dormir de noite. Até que  finalmente ele não agüentou mais.


"Chega! Não agüento mais! Daqui em diante fica  sem valor a lei  do nenhum conflito!".


A  notícia se espalhou rapidamente. Todos ficaram felizes e resolveram celebrar com uma festa.


"Oba, podemos jogar bola outra vez" disseram os peixinhos.


"Oba, podemos abrir os livros novamente para que os alunos possam  aprender  sobre drama e literatura. Nossas  crianças poderão aprender sobre a vida e  como viver  juntos sem machucar uns  aos outros" disseram os professores-peixes.


O Peixe-Rei escutou o que disseram os professores-peixes.  E perguntou:   "Mas o conflito  não  os machuca?".


Responderam os professores: "Não,   se  eles aprenderem a ter  disciplina, o conflito os ajuda a  aprender como viver uma vida feliz".


O Peixe-Rei disse: "Eu fiquei  confuso nas semanas que se passaram.   E agora,   estou mais confuso ainda".


Neste  momento, os pensamentos do Peixe-Rei foram interrompidos por um barulho  bastante alto. Um  grupo de crianças-peixes  estava discutindo  sobre um jogo e o Peixe-Rei ficou bastante preocupado. Por um momento,   ele pensou que as coisas haviam ficado piores do que  antes.


Mas  então,   algo maravilhoso aconteceu!   Os peixinhos resolveram  anular aquele  ponto. E eles sorriram novamente e voltaram ao jogo alegremente.


O Peixe-Rei viu aquilo e pensou: "Ora, ora, talvez eu tenha feito alguma diferença  no meu  reino".


Naquela noite,   todos os peixes fizeram uma festa para celebrar a liberdade no Reino dos Peixes que podiam fazer tudo. E todos eles viveram em paz e felicidade para sempre, convivendo com a quantidade de  conflito suficiente para fazer a vida melhor.

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1 Response to "O Reino dos Peixes que Podiam Fazer Tudo - Estudos/Teatro"

  1. anderson silvestre says:

    Otima Historia dos peixinho!!!
    GOSTEI MUITO MUITO MUITO MESMO!!!LEGAU....

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